08 junho 2011

De volta pra casa


me reencontrei em londres
um fantasma que nao me visitava
chegou falando uma mistura pouco usual de linguas
o dia estava chuvoso, como se nao pudesse ser diferente
e mais uma vez eu queria ter a sensação de que você estava por perto
talvez por sentir tua presença, ou nao
talvez por sentir-me só e ter os olhos marejados
e então querer que toda a profundidade da minha tristeza voltasse
e me levasse de volta pro meio do inferno que sempre vivi tão bem

o problema de envelhecer são os vazios que carregamos
não um vazio de busca do novo, de potencialidades
mas um vazio daquilo que se foi e não mais se preencheu
o som do piano baixinho decora o quarto do hotel
sufocando meu choro e minha nostalgia

estou calmo e tranquilo, mas no caminho errado
entram as trompas...e sua imagem, no alto
traz a suavidade das cordas que nos ataram de forma tão enigmática
o que é o certo?
volta a fazer frio, mas o piano lento e arrastado continua a me aquecer
a pouca luz me ajuda a perder a dimensao da distancia que ficou em mim
no choro contido pergunto por mim...e o tema completa mais uma volta
como se o piano me desse o ombro e deixasse que o menino finalmente encontrasse um colo
e assim chorasse copiosamente
e acreditasse, simplesmente acreditasse...
apenas acreditasse... todos os dias

2 comentários:

* lady M. disse...

Bem vindo de volta ao lar!

"E então querer que toda a profundidade da minha tristeza voltasse e me levasse de volta pro meio do inferno que sempre vivi tão bem"... Tão profundo!


BeijoS NegroS^^

Kierpel disse...

Piano leve e arrastado... Bravíssimo!