20 janeiro 2007

Podia...mas nao fui

Entre o que eu podia e o que eu não fui
mais uma vez parado na ponte
mais uma vez com o mundo nas costas
mais uma vez com a angústia me corroendo e me corrompendo
eu posso parar o trem a qualquer minuto
eu posso mudar a vida a qualquer hora
mas assisto a crônica da morte anunciada
assisto sonhos partindo sem conseguir olhar nos olhos da vida
assisto o tudo que poderia....porque eu não fiz ser

Só há uma forma de viver. Vivendo.
Tudo o mais é morte.
E eu morro a cada dia.
Carregando potencialidades comigo.
Contemplando possibilidades.
Me preparando pra uma guerra que nunca vai existir.
A vida passa...eu fico.
Hoje...mais uma vez faltou coragem.
Faltou certeza.
Uma certeza que nem existe, nem nunca existira.
Hoje faltou renúncia.
Hoje faltou ação.
Hoje faltou verdade.
Hoje sobrou saudade.
Hoje meus olhos quase me trairam.
Minhas lágrimas quiseram vazar.
Minhas páginas quiseram mostrar.
Mas eu teimo em deixar tudo voar.
Em deixar tudo acabar.
Em deixar tudo continuar...à margem de mim.

Tenho medo de estar morrendo
Tenho medo de estar me despedindo de tudo.
Tenho medo de estar me desculpando pro mundo.
Será que só eu penso que poderei errar
Será que só eu sinto viver personagens que não são minhas.
Será que só eu lamento pelo que possa dar errado antes mesmo de começar.
Volto a pedir que a inconseqüência guie os meus atos.
Que a lama toda me alcaçe os sapatos.
Que a vida aconteça.
Que o dia amanheça.

Eu sou o vigia do mundo.
Responsável por tudo e todos ao meu redor.
Eu não erro.
Eu não ferro.
Eu sou bom.
Eu sou limpinho.
Eu sou meigo.
Eu sou doce.
Eu sou culto.
Eu sou certo.
Eu sou concreto,
educado,
discreto,
calejado,
direto,
um soldado.

Eu sou tudo o que se pode querer que alguem seja.
Mas minha vida está passando....e tudo está errado.
Tudo está manchado.
Tudo está dobrado....pois nada é usado.
Que a inconseqüência guie os meus atos.
Que a incoerência crie os meus fatos
Que a maledicência venha
Que o conflito venha também.
Que a disputa venha...com seus louros e seus espinhos
pra que eu possa sentir o sabor de ambos.
Mas que eu viva uma vida normal
Que eu crie uma história mortal.
Que tenha risos, que tenha dores.
Que tenha chuvas, que tenha flores.
Que tenha curvas, que tenha amores.
Que tenha tato, que tenha cores
Que tenha olfato, que tenha odores
Que seja normal.

Chega de confusão
Chega de excessos
Chega de abundância
Chega de retrocessos

"Eu quero a sorte de um amor tranquilo"

Um comentário:

Marília disse...

Podemos... mas nunca vamos, nunca somos...
As vezes acho que já morri.